Sobre os Terremotos.

Por Msc Newton Campos
Há uns 12 anos, ingressando no curso de Geofísica, na USP, ouvi da professora Márcia Ernesto, então diretora do IAG.
– Por volta de 1920, o sismólogo Harold Jeffreys provou matematicamente que a teoria da Deriva Continental proposta por Alfred Wegener era impossível, matemática e sismologicamente. … Por volta de 1960, desenvolve-se a teoria da “tectônica de placas”, a partir das observações paleomagnéticas de Hammond Hess.
E eu fiquei pensando:
– Como é que algo impossível matematicamente (deriva de continentes) em 1920, se torna possível em 1960?
Mudou a matemática?
Eu acredito que as religiões buscam a verdade.
Eu me contento, através das ciências, a buscar a dúvida.
A partir dessa minha dúvida, segui estudando paleogeografia, oceanografia, geologia, magnetismo, pedologia, climatologia, epistemologia, forças de maré, até chegar à astronomia.
Assim foi que cheguei a entendimentos distintos dos que estão nos livros sobre a origem dos continentes e oceanos.
E entendimentos distintos dos habituais sobre terremotos, evolução, clima.
O conhecimento muda nossas crenças. E muda o passado.
Ao concluir a última edição seu livro sobre a Deriva Continental, Alfred Wegener observou:
– Sei que minha teoria não está bem explicada, mas ainda há de surgir um Newton que irá explicar melhor as forças em jogo.

Quais são as principais causas de um terremoto?

Diversas são as condições sob as quais ocorrem terremotos, sendo suas causas as mais diversas.

Da mesma forma que a luz e o som chegam até nós sob a forma de ondas, os ventos e o mar nos chegam em ondas. Também os terremotos chegam em forma de ondas, sentidas como vibrações.

Se você explode uma bomba, a expansão violenta do ar nos traz ruído e ventos: ondas de choque. Derrubar uma casa, um meteoro, uma grande pedra, um barranco, provoca o mesmo: ondas de choque.

Ondas de choque transmitidas pelo terreno são chamadas de terremotos.

Existem terremotos pequenos – como o de um caminhão pesado passando na rua – e terremotos grandes – como o da queda de um grande meteoro, o de uma explosão atômica, ou o do desabamento de uma grande montanha.

Grandes meteoros são incomuns, explosões humanas costumam ser controladas, pequenos terremotos não nos incomodam. Assim, cabe considerarmos que os desabamentos são as principais causas dos terremotos que nos afligem.

O que é a escala Richter e como ela funciona?

A escala Richter é uma enumeração para comparar terremotos.

Tecnicamente, a magnitude de Richter corresponde ao logaritmo da medida da amplitude das ondas sísmicas verticais e horizontais a 100 km do epicentro. Mas essas ondas se propagam circularmente, assim, por exemplo, um sismo com magnitude 6 tem uma amplitude 10 vezes maior que um sismo de magnitude 5, mas o sismo de magnitude 6 liberta cerca de 31 vezes mais energia que o de magnitude 5.

 

< 2,0 – Micro – Não se sente, ocorrem 8.000 por dia;

2,0-2,9 – Muito pequeno – Geralmente não se sente mas é detectado ou registrado, 1.000 por dia;

3,0-3,9 – Pequeno – Frequentemente sentidos mas raramente causam danos, 49.000 por ano;

4,0-4,9 – Ligeiro – Tremor notório de objetos no interior de habitações, ruídos de choque entre objetos, danos importantes pouco comuns, 6.200 por ano;

5,0-5,9 – Moderado – Pode causar danos maiores em edifícios mal concebidos em zonas restritas. Provoca danos ligeiros nos edifícios bem construídos, 800 por ano;

6,0-6,9 – Forte – Pode ser destruidor em zonas num raio de até 180 quilômetros em áreas habitadas; 120 por ano;

7,0-7,9 – Grande – Pode provocar danos graves em zonas mais vastas, 18 por ano;

8,0-8,9 – Importante – Pode causar danos sérios em zonas num raio de centenas de quilômetros, 1 por ano.

9,0-9,9 – Excepcional – Devasta zonas num raio de milhares de quilômetros, 1 a cada 20 anos;

10,0 – Extremo – Nunca registrado, extremamente raro.

 

A escala de Richter não permite avaliar a intensidade sísmica de um

sismo num local determinado e em particular em zonas urbanas.

Para tal, utilizam-se escalas de intensidade tais como a escala de Mercalli, definida em função da destruição provocada.

 

(I) Imperceptível;

(II) Muito fraco – sentido por pessoas em repouso em andares elevados;

(III) Fraco – sentido em casa, similar à passagem de veículos pesados;

(IV) Moderado – objetos suspensos balançam, carros, portas e louças tremem, vidros tilintam, estruturas de madeira rangem;

(V) Forte – sentido fora de casa, pode se avaliar a direção do movimento,  livros tombam, portas abrem ou fecham, líquidos extravasam;

(VI) Bastante forte – sentido por todos, vidros se partem, quadros caem, mobílias tombam, árvores agitadas;

(VII) Muito forte – difícil ficar de pé, mobílias se partem, dano em fracas alvenarias, queda de ornamentos arquitetônicos, sinos tocam;

(VIII) Ruinoso – Afeta a condução de veículos, danos em alvenarias residenciais, torção de chaminés, monumentos, reservatórios elevados, fraturas no chão úmido e vertentes escarpadas;

(IX) Desastroso – pânico geral, alvenaria seriamente danificada, estruturas abaladas, fraturas importantes no solo;

(X) Destruidor – maioria das alvenarias e estruturas destruídas, danos sérios em barragens e aterros, águas arremessadas contra as margens;

(XI) Catastrófico – vias férreas bem deformadas, canalizações subterrâneas completamente avariadas;

(XII) Danos quase totais – massas rochosas deslocadas, conformação topográfica distorcida.

 

Qual a função do terremoto na natureza?

Os terremotos chacoalham e derrubam coisas acima ou no entorno deles. Os terremotos resultam de derrubamentos ou desabamentos, e as vibrações resultantes provocam novos chacoalhares e derrubamentos.

Enfim como em todo derrubamento, os terremotos tendem a aplainar o terreno. Pedras, encostas, montanhas e cavernas desabam sob as forças da gravidade.

Da mesma forma que encontramos cavernas em superfície, estas também ocorrem em subsolo, pela ação da água (subindo e descendo) ou pela própria formação do planeta.

Encha um copo com areia. Você conseguirá colocar meio copo de água nele, sem que transborde. O planeta foi construído pela atração de planetesimais, e foi encharcado pela água trazida por cometas.

Essa água desce em função da gravidade, e sobe em função do aquecimento; afloram sob a denominação de termas. Acontecem até mesmo sob os oceanos, sob as geleiras da Antártida ou na Islândia. Esse descer e subir de águas, é razão das muitas cavernas subterrâneas.

A crosta terrestre também é constantemente estressada por forças astronômicas, chamadas forças de marés, conhecidas há milênios. As forças de marés que se nos apresentam nos oceanos, também acontecem na camada gasosa (atmosfera) e na camada sólida (crosta).

Essa dinâmica do estresse provocado pelas forças de maré (Lua e Sol, principalmente, e mais outros 360 fatores) aliado à percolação da crosta sólida pelas águas que se infiltram e são ejetadas, acabam habilitando grandes cavernas e desabamentos subterrâneos: terremotos.

 

Existe uma duração típica para os terremotos?

Qual a duração típica para o desabamento de um barranco? Pode levar poucos segundos, ou vários minutos.

Na medida em que a parte inferior desaba, as parte superiores ficam aptas a desabar em seguida. Os acúmulos sucessivos habilitam a continuidade de um terremoto, ou ainda as chamadas réplicas, que são comuns nas horas ou dias posteriores.

Existe uma frequência típica para os terremotos?

Os terremotos resultantes inofensivos são da ordem de 350 mil ao ano.

Os de pequenos danos chegam a 7 mil ao ano.

Os fortes e grandes chegam a 140 ao ano.

Terremotos danosos, que chegam a todos os noticiários, ocorrem uma vez ao ano.

Devemos também considerar a frequência sazonal dos terremotos.

As forças de marés são provocadas pelo Sol (1/3) e pela Lua (2/3).

Estudos feitos na falha de San Andreas, California-EUA, mostraram que os terremotos são mais frequentes nas fases de crescimento lunar. Estas constatações ainda são muito recentes, mas deverão incentivar novos estudos, de amplitude global e considerando Lua e Sol.

O que causa as falhas geológicas?

As falhas geológicas são como rachaduras de grande extensão na crosta terrestre. Resultam do deslocamento de rochas, do colapso ou ascensão de material na crosta, compressão, descompressão ou cisalhamento.

As falhas são provocadas por meteoros, vulcões, terremotos. Se apresentam como cadeias meso-oceânicas, como fossas submarinas, como rebote elástico.

Não necessariamente é necessário um choque. As falhas também podem ocorrer por aproximação de corpos celestes, em virtude das forças de maré.

Se a diferença das forças gravitacionais entre os corpos for muito grande, podem até mesmo estilhaçar (implodir) um corpo celeste. Isso foi calculado por Edouard Roche no século XVIII e testemunhado por astrônomos em 1994, quando o cometa Shoemaker-Levy-9 se aproximou de Júpiter.

Por que os terremotos só atingem algumas cidades?

Regiões com falhas geológicas são propícias ao ingresso de água no terreno, habilitando a movimentação de massa, desabamentos no subsolo, terremotos enfim. Assim, as cidades próximas a falhas geológicas são mais propícias a terremotos.

Atividades antrópicas são passíveis de provocar terremotos: entre poços artesianos deixados abertos (Itu); sob represas ou açudes (Varginha e Ceará); entre os poços exploratórios de petróleo (Santos); em regiões de retirada de água por séculos (Madrid); injeção de ar para retirada de gás em subsolo (Itália).

A torre de Pisa, ou os prédios da praia de Santos implicam em movimento de solo. Ao final de décadas, os terremotos ditos inofensivos se fazem mostrar. Água mole em pedra dura …

O que forma uma placa tectônica?

As placas tectônicas seriam grandes blocos de crosta terrestre delimitados por grandes falhas geológicas. Cobririam toda a superfície do planeta, sob continentes ou oceanos.

Propositadamente usei os verbos no futuro do pretérito. No futuro do pretérito tudo pode ser verdadeiro.

Entretanto, desde a proposta da teoria das placas tectônicas, nos anos 1960, são buscados os limites das placas. Alguns limites nunca foram constatados, apesar da quantidade de testes e da melhoria dos equipamentos utilizados.

Assim, já provamos e comprovamos que muitos dos limites das imaginadas placas tectônicas não existem. E, se não existem os limites, não existem as placas. Ou seja, a teoria das placas tectônicas não foi comprovada. Ou melhor, foi comprovada como falsa.

O que causa mais estrago, um terremoto no fundo do mar ou em terra firme?

Da música de Billy Blanco: o que dá prá rir dá pra chorar; é questão de peso e medida, é coisa de hora e lugar.

Um grande terremoto pode provocar um tsunami, caso ele afete o fundo do mar, ou seja, caso os desabamentos em subsolo cheguem até o chão do fundo do mar, ou caso ocorra um desabamento de encosta à beira mar.

O movimento brusco no fundo de um mar não muito profundo (próximo à costa) pode gerar onda que chega rápido à costa. E é na costa que vive a maior parte da população mundial.

Ou seja, um terremoto na plataforma continental do Japão tende a causar muito mais estragos do que um terremoto nos firmes Himalaias.

Esta não é uma resposta técnica, mas midiática.

A velocidade das ondas sísmicas é diretamente proporcional  à rigidez do material que atravessam e inversamente proporcional à densidade do mesmo. Ou seja, de um modo geral as ondas sísmicas se propagam bem melhor nos sólidos do que nos líquidos.

Pensemos no terremoto no Japão, em 11 de março de 2011.

Sobre o que falavam alguns jornais no dia anterior ao do terremoto? Falavam da superlua que aconteceria em 19 de março, quando a Lua estaria mais próxima da Terra em 18 anos. Ou seja, era um período mais propício a terremotos.

O epicentro aconteceu próximo à superfície da plataforma continental, mas fora dos chamados limites de “placas tectônicas”, a 130 km da costa e a 24 km de profundidade.

Ou seja, não foi um terremoto que pudesse ser atribuído àqueles “movimentos de placas” dos filmes do Discovery Channel.

Os maiores terremotos no Amazonas ocorrem exatamente sob o rio. São frequentes os terremotos no leito do rio. A água escava o fundo, cria passagens, que causam tremores quando esses túneis desabam.

No norte do Japão temos a forte corrente marítima de Oyashio. E se ela tivesse escavado uma passagem na lateral da plataforma continental japonesa? Poderia ter ocorrido um colapso dessa passagem subcrustal? Um desabamento na plataforma continental? E se esse desabamento fosse tal que atingisse a superfície da plataforma? Provocaria um tsunami? Sim, pode ser.

E como as ondas do sísmicas chegaram antes das ondas marinhas, houve tempo para que as câmeras estivessem preparadas.

Show time!

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  1. Quando a Terra se formou, sob elevadas temperaturas, a diferenciação levou o material mais denso (ferro e níquel) para o centro (núcleo). Em volta do núcleo ficou uma mescla de materiais menos densos (manto) e foi criada uma crosta silicática (como a escória na siderurgia). O material central (ferro) também tem coeficiente de dilatação muito maior que o do material do manto (“tijolo”). Com o arrefecimento do planeta, a parte mais interior (ferro) também encolheu muito mais rápido que o material do manto (tijolo). Assim, foram sendo formadas grandes cavernas em subsolo. Além disso, temos a exaustão de gases e fluidos (lava), que também cria cavernas no manto.

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