É justo um trans disputar uma competição feminina?

Caros leitores,

Eu sempre evitei de comentar esse assunto, por não ser especialista, mas fiz diversas pesquisas, consultei fisiologistas e estou postando aqui um pouco sobre o que eu adquiri de conhecimento sobre o assunto.

Ao contrário do que muitos podem pensar, esse texto não é preconceituoso e muito menos tem o intuito de gerar incitações a nada, a não ser ao pensamento científico.

O autor não tem interesse em incitar o preconceito e a aceitação das diferenças, mas só quer esclarecer de forma clara que a diferença entre homem e mulheres, transcendem o hormônio sexual e a forma do corpo.

A polêmica criada pela aceitação de um jogador masculino na liga brasileira de Volley, que está se submetendo ao tratamento para a mudança se sexo com tratamento hormonal.

A grande polêmica que se cria é quando se o fato dele ser homem e ter sua fisiologia e biologia diferente da de uma mulher comum. O jogador em questão passou a vida sendo um atleta de alto nível com o treinamento de um atleta másculo de Volley e foi moldado para isso tanto na fisiologia muscular e óssea. A estrutura física é diferente de um não atleta, por exemplo.

O DNA define dentre outras coisas, o sexo da pessoa e isso é fato.

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As mulheres vêm buscando o seu espaço tanto na sociedade quando nos esportes e o autor desse texto acredita que socialmente somos todos iguais, mas biologicamente existem diferenças muito grandes entre o homem e a mulher, as quais somente uma inibição da testosterona e inclusão da progesterona, possa fazer com que um homem se transforme em mulher. No estereótipo, alguns conseguem até ficarem bem parecidos e com a operação para a retirada do pênis e a formação de uma vagina artificial, podem até ficarem extremamente parecidos, mas biologicamente, nunca serão a mesma coisa e me desculpem aos adeptos da ideologia de gênero, um homem nunca será uma mulher biologicamente falando e vice-versa.

Vejamos abaixo alguns dados referentes a inclusão de trans, nos esportes femininos.

Em abril de 2017 ano corrente, o jovem de 15 anos Andraya Yearwood disputou um campeonato estadual escolar com jovens do sexo feminino. Sem muita surpresa, o jovem Andraya massacrou as concorrentes. A sua vitória sobre elas foi avassaladora.

Em novembro de 2016, o ciclista de 36 Jillian Bearden venceu a divisão feminina do “El Tour de Tucson”, com grande vantagem sobre as adversárias. O jogador de basquete Gabrielle Ludwig, de 50 anos, 1,95, 100 kg, foi aceito na equipe de basquete feminino de Mission College em Santa Clara.

Hannah Mouncey, de 26 anos, 1,85, 100kg, era capitão de um time de handbal masculino de Canberra, Austrália. Ele chegou a disputar o Campeonato Mundial pela seleção australiana e se qualificou para as Olimpíadas de 2016. Agora, tomando hormônios femininos, foi aceito na seleção feminina de handbal.

O levantador de peso Laurel Hubbard, 39 anos, venceu a competição australiana de levantamento de peso na modalidade feminina, erguendo 269 kg, bem mais que a segunda colocada.

O lutador de MMA Fallon Fox recebeu permissão para lutar com mulheres e, em 2015, fraturou a ossatura orbital de sua adversária em uma luta.

Esses são só alguns exemplos, pois estão aparecendo muitos exemplos mundo a fora. Mas a questão é:

Será justo com as mulheres desportistas? Será que essa competição com atletas homens que passaram a vida toda treinando em alto nível para serem atletas de alto rendimento como homens, agora serem autorizados a disputarem torneios, ligas e competições femininas?

Será justo isso?

Homens estão inundando modalidades desportivas femininas. Em sua maioria, trata-se de pessoas que já eram esportistas, mas esportistas medíocres, se comparados com outros homens. Mas, ainda assim, recebendo permissão para disputar com mulheres, os resultados têm sido um verdadeiro massacre.

Como ex-atleta de Volley, Basket, Judô, Natação e Aikido, é fato que não se compara a força de um homem atleta e explosão muscular com a de uma mulher atleta do mesmo esporte. O porte físico é diferente, estrutura óssea, muscular, hipertrofia etc.

Quando eu treinava judô, ao qual cheguei até a faixa roxa, o treino era dividido entre homens e mulheres, com treinamento em horários separados, pois pela diferença física por diversas vezes treinei depois do meu treino com as mulheres antes de competições para elas terem uma dificuldade maior, no Aikido foi o único esporte que treinei, no qual treinei com uma garota, e eu tinha muito medo de machuca-la, apesar da faixa muito mais avançada dela, pois ela era faixa marrom e eu branca, mas ela só me derrubava quando eu deixava para poder fluir o treinamento.
É evidente o fator físico! Pessoas normais não teriam tanta diferença em termos de resistência, podendo até as mulheres superarem, mas força física, em imensa maioria a masculina é superior e não tem discussão.

Não pode haver surpresa aqui e toda a indignação do mundo é perfeitamente justificada. Homens não são mulheres. As diferenças entre homens e mulheres não se resumem a auto percepção, nem à projeções mentais. E essas distinções não são apagadas por terapia hormonal e cirurgia de mudança de sexo.

Livros poderiam ser escritos sobre o assunto, mas vamos fazer alguns apontamentos. Homens são, em média, mais altos que mulheres e estatura mais elevada acarreta estatisticamente uma série de vantagens em vários esportes, como mãos maiores, amplitude e alcance maiores, maior visibilidade e tronco mais forte. Todas essas características representam vantagens explícitas para esportes como basquete, vôlei e handbal.

Imagine um atleta masculino de 2,10 m que é bem comum no Volley e basquete masculino, decidir que agora é uma mulher, que vai passar pelo tratamento e cirurgia e irá jogar contra mulheres que se tiverem 1,95 m é muito? Lembrando, a altura da rede no Volley feminino é bem inferior, um atleta desses, acostumado a um treinamento mais intenso, a uma altura de rede maior, tendo a sua estrutura óssea e muscular adaptada e moldada para aquele esporte, vai “passar por cima” de qualquer bloqueio feminino no mundo! Isso é justo?

Se essa exceção virar regra, a recíproca não vai ser verdadeira, pois uma mulher atleta de Volley, não vai conseguir mudar de sexo e jogar no masculino. Ou seja, é uma regra idiota, contra científica, contra a fisiologia, excludente para mulheres que querem ser homens e injusta com as mulheres praticante do mesmo esporte.

Comparem por exemplo a NBA com a WNBA, futebol masculino e feminino, atletismo masculino e feminino dentre outros, pois qualquer fisiologista que se preze, vai dizer que é clara e óbvia a diferença.

Existe um ramo da fisiologia que é a fisiologia esportiva ou do exercício, que estuda os efeitos do exercício físico no organismo. Em definição:

É uma área do conhecimento científico que estuda como o organismo se adapta fisiologicamente ao estresse agudo do exercício físico e ao estresse crônico do treinamento físico. (WILMORE & COSTILL, 2001).

Os peritos no campo incluem principalmente os graduados e pós-graduados em Educação Física, os quais auxiliam os atletas a melhorarem o seu desempenho com as descobertas em bioquímica, endocrinologia, função cardiopulmonar, hematologia, biomecânica, fisiologia do músculo esquelético, a função do sistema neuroendócrino e nervoso, em nível central e periférico. Como podem ver, são diversas áreas do conhecimento da medicina, biomedicina e biologia, aplicada por um profissional que está apto para desenvolver a capacidade física de um atleta de alto rendimento e esse profissional sabe muito bem a notória diferença entre a biologia de um homem e de uma mulher.

Nos últimos 20 anos o número de mulheres atletas tem aumentado consideravelmente. A participação feminina cresceu cerca de 600% abrangendo um total de mais de 1,9 milhões de mulheres atletas. Apesar do grande aumento do número de mulheres no esporte, é escassa a literatura sobre aspectos anatômicos, psicológicos e principalmente hormonais que afetam o desempenho das mulheres praticantes de exercício físico. Os benefícios da atividade física são comprovados em ambos os sexos, porém, a mulher apresenta aspectos próprios que incluem variações no perfil hormonal (inclusive por uso de contraceptivos orais), incidência de afecções próprias ao gênero, além das respostas fisiológicas e orgânicas ao exercício.

Um trabalho do Dr Medeiros e colaboradores, da Escola Superior de Educação Física da Universidade Federal de Pelotas, procurou verificar efeitos dos contraceptivos hormonais sobre o grau de força muscular e na composição corporal de mulheres jovens atletas. Participaram desse estudo 12 mulheres jovens adultas com idade superior a 18 anos, atletas de voleibol, que participavam ativamente de treinos e competições. As atletas do grupo GCO usavam contraceptivos orais de terceira geração há pelo menos 5 anos e as do grupo GNCO utilizavam a camisinha como método contraceptivo. Os resultados mostraram que em relação a composição corporal, as atletas do grupo GCO ( com anticoncepcional) apresentaram medidas de dobras cutâneas, circunferência corporal, percentual de gordura e peso mais elevados do que as atletas do grupo GNCO ( com camisinha)

O anticoncepcional hormonal oral diminui a quantidade de testosterona livre já que estimula a produção pelo fígado de uma proteína chamada de Globulina Ligadora de Hormônio Sexual (SHBG). Esta proteína se liga de forma muito intensa à testosterona diminuindo sua forma ativa, a forma livre, o que influencia na performance física, ganho de massa muscular e queima de gordura. Os níveis de SHBG em usuárias de pílulas costumam ser tão altos que o laboratório precisa fazer duas vezes o mesmo exame para chegar a um resultado. Outras formas de anticoncepcionais hormonais, que não sejam orais, não elevam a SHBG da mesma forma, mas também podem causar um estado de deficiência hormonal em mulheres, acarretando problemas sexuais e de composição corporal.

Esta situação ocorre tanto nas usuárias de pílula como nas mulheres que fazem reposição hormonal na menopausa com hormônios tomados por via oral.

A redução da testosterona livre pode ocasionar um estado de deficiência que se manifesta na diminuição da libido, bem-estar, energia, humor, perda de massa muscular e óssea. Seu déficit dificulta o processo anabólico, podendo ocorrer o contrário do que desejamos – o catabolismo (dificuldade em manter massa magra, muscular), apresentando ainda ganho maior de gordura e até redução da massa óssea.

Como podem ver, somente a ação hormonal feminina, já seria um problema para uma atleta de alto rendimento, mas espera, um trans não usaria a reposição hormonal feminina para ter as suas características do seu corpo semelhantes aos das mulheres e não sofreriam com os mesmos sintomas?

Em média, homens são melhores que mulheres em diversas tarefas viso-espaciais graças a dimorfismo sexual no córtex visual. Não há qualquer evidência empírica de que terapias de supressão de testosterona e de reposição hormonal com estrogênio são suficientes para alterar essa vantagem viso-espacial. Assim, estamos falando de mais uma vantagem biológica evidente em qualquer esporte que envolva coordenação motora (óculo-manual e/ou óculo-pedal), como golf, futebol e ping-pong.

No caso dos homens que já participavam profissionalmente de esportes e só depois começam com as terapias e o processo de mudança de sexo, há também vantagens psicológicas e cognitivas, derivadas do desenvolvimento de engramas motores em níveis competitivos que não são atingidos no esporte profissional feminino.

Em geral, defensores da participação de homens que “mudaram de sexo” em competições desportivas femininas apelam às exigências de manutenção de uma taxa específica de testosterona, equivalente a das mulheres. A ideia é de que entupir homens com estrogênio e suprimir produção de testosterona realmente elimina distinções naturais entre homens e mulheres.

Isso é ideologia. Não tem nada a ver com biologia. Não é à toa que basta olhar para esses homens que nós sabemos de imediato que são homens. Hormônios não são um tema simples assim. As diferenças hormonais e fisiológicas entre homens e mulheres vão mais fundo do que meras diferenças quantitativas cruzadas nas taxas de testosterona e de estrogênio.

Muito mais elementos influenciam no desempenho e rendimento de um atleta do que o nível de testosterona. A estrutura óssea é diferente entre homens e mulheres, e a terapia hormonal não equaliza essa diferença. A distribuição de fibras musculares tipo 1, 2a e 2x entre homens e mulheres é diferente e isso não é anulado pela terapia hormonal.

Adrenalina, nora adrenalina, cortisol, gh, igf-1, somatomedina, t4, t3, tsh, insulina, sensibilidade para insulina, potencial mitocondrial de ativação de via ampk, ativação de via Mtor, todos esses são hormônios fundamentais para determinar o rendimento de um atleta, e tudo isso é diferente entre homens e mulheres e não é igualado pela mera administração do hormônio sexual (testosterona/estrogênio) do sexo oposto.

E mesmo que focássemos apenas na distinção testosterona/estrogênio, ainda nos depararíamos com a grande diferença dos receptores androgênicos e sua sensibilidade e “up-regulation”, diferentes em um organismo masculino e um feminino.

X de testosterona em um homem (que acha que é mulher) tem muito mais efeito de anabolismo e força do que o mesmo X de testosterona em uma mulher de verdade. Pode-se, então, estabelecer critério de “nível de testosterona”, que os homens participando de competições femininas AINDA terão vantagens.

E poderíamos avançar ainda para a variação enzimática hormonal entre os sexos. Mulheres têm muito mais da enzima aromatase, que converte testosterona em estraditol; mulheres têm mais da enzima 5-alfa-redutase, que reduz a testosterona em DHT; mulheres têm mais da globulina ligadora em hormônios sexuais (SHBG). Tudo isso diminui a quantidade de testosterona livre, impedindo que parte dessa testosterona seja usada para fins anabólicos ou de potência. E MESMO QUE A TAXA DE TESTOSTERONA SEJA MANTIDA IGUAL ENTRE HOMENS E MULHERES.

Em suma, há um ABISMO entre homens e mulheres. E o bom dessa polêmica é que finalmente se está podendo discutir e mostrar que homens e mulheres não são iguais. Igualdade é uma farsa! E pessoas que são de um sexo, mas acham que pertencem a outro, não têm alteradas todas as distinções sexuais mesmo com toda a terapia hormonal e com todas as cirurgias do mundo.

Além desses fatores acima citados, temos ainda que o homem possui um número maior de glóbulos vermelhos no sangue, o que proporciona uma maior capacidade de transporte de oxigênio e consequentemente um desempenho aeróbico sempre superior ao da mulher. Além disso, o desempenho cardíaco do homem é também superior, atingindo débitos cardíacos máximos (maior volume de sangue que o coração consegue bombear por minuto) maiores que da mulher. Estas diferenças proporcionam ao homem uma vantagem fisiológica em qualquer solicitação de esportes de resistência.

Além disso, a musculatura esquelética do homem tem o fator hormonal como uma diferença importante. A testosterona ou hormônio masculino é um esteroide anabolizante natural, e proporciona ao homem um desenvolvimento muscular sempre superior. Este efeito assegura ao homem uma vantagem de força, potência e velocidade, que se projeta em qualquer modalidade esportiva que dependa destas variáveis. Em outras palavras o homem é sempre mais forte e consequentemente mais veloz.

A vantagem da mulher é na flexibilidade, que tende a ser maior do que no homem, proporcionando benefício na execução de alguns gestos esportivos, particularmente nas modalidades em que coordenação motora e perfeição de movimentos prevalecem como na ginástica artística, que é nítida a superioridade feminina nas acrobacias, dança, equipamentos e sincronismo, ou seja, cada gênero possuí uma vantagem evolutiva e fisiológica própria de sua espécie.

Uma outra vantagem de um trans sobre uma mulher, seria o simples fato de não menstruar, o que para algumas mulheres é um período muito ruim, pois acarreta mudanças de humor, dores, prostrações etc. Isso para uma mulher comum, pode ser um problema, mas imagine para uma atleta de alto desempenho que não possa tomar um anticoncepcional para regular, ter que conviver com essa condição e treinar e até disputar competições?

Pois é, essa é a realidade! E quem está se posicionando do outro lado, contra a realidade, e a favor de que “pessoas trans” participem de competições desportivas contra o sexo oposto, o fazem exclusivamente por ideologia, negando uma ciência já bem estabelecida que vem evoluindo dia após dia e que fazem com que os atletas cada vez mais evoluam, sabem o porquê isso acontece?

Porque os profissionais que atuam, que pesquisam e que vivem da área esportiva e física, sabem perfeitamente a diferença entre a fisiologia e a biologia do corpo feminino para o masculino.

Sabendo disso tudo, é justa com as mulheres atletas que isso aconteça?

Parabéns a todas as atletas que se mostraram contra esse absurdo.

Referências:

Effect of the different phases of the menstrual cycle and oral contraceptives on athletic performance. Sports Med. 1993 Dec;16(6):400-30.

Effects of oral contraceptive use on the salivary testosterone and cortisol responses to training sessions and competitions in elite women athlete. Blair T. Crewthera, Dave Hamiltonb, Kathleen Castoc, Liam P. Kilduffd, Christian J. Cooka.

Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia. Arq Bras Endocrinol Metab vol.49 no.2 São Paulo Apr. 2005

http://www.efdeportes.com/efd95/perform.htm

Insuficiência androgênica na mulher e potenciais riscos da reposição terapêutica. Lenora M.C.S.M. Leão; Mônica P.C. Duarte; Maria Lucia F. Farias

http://www.thefreedictionary.com/physiology The biological study of the functions of living organisms and their parts.

Links de outros posts sobre o assunto:

https://thiagomaiablog.wordpress.com/2017/12/21/e-justo-um-trans-disputar-uma-competicao-feminina-2/

https://thiagomaiablog.wordpress.com/2017/12/27/e-justo-um-trans-disputar-uma-competicao-feminina-parte-3/

https://thiagomaiablog.wordpress.com/2018/02/20/cotas-para-atletas-trans-como-assim/

0 Replies to “É justo um trans disputar uma competição feminina?

  1. na minha avaliação, se nasceu com pênis, é do sexo masculino, não importa que faça cirurgia e corte fora. Vai ser masculino sempre. Não tem como alterar a natureza. Pode ser homem que goste de homem, mas será sempre masculino. E o ser humano masculino tem estrutura física diferente do feminino, portanto, leva vantagem sempre. Mesmo que corte o pinto fora…

  2. Muito bem explicado ! Só faltam as mulheres esportistas se unirem e se recusarem a participar de competições femininas juntamente com transgêneros femininos! Outra vez “ Mulheres reais unidas pela competição justa !

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