COBERTURA DE NUVENS E O CLIMA GLOBAL.

Luiz Carlos Baldicero Molion

O Projeto Internacional de Climatologia de Nuvens por Satélite (Sigla em Inglês ISCCP) mostra que, desde o início da análise dos dados até 1999/2000, a cobertura de nuvens global reduziu de 5% (Figura 1). O albedo planetário é a fração do fluxo de radiação solar que é refletida (rejeitada) pelo planeta para o espaço exterior e, consequentemente, não participa dos processos biogeofísicos que nele ocorrem. O albedo planetário atual é cerca de 30%, sendo a cobertura de nuvens responsável por metade (15%) desse percentual. Segundo Trenberth et al (2009), incide no “topo” da atmosfera do planeta um fluxo médio de 341 W/m2 dos quais 102 W/m2 são refletidos para o espaço.

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Figura 1. Variação temporal da cobertura de nuvens global (Fonte de dados: ISCCP)

Desses, portanto, 51 W/m2 são refletidos por nuvens. Considerando uma cobertura de nuvens inicial de 69% e o fluxo refletido variando linearmente com a cobertura total, uma simples “regra de 3” levaria a um aumento de aproximadamente  4 W/m2 do fluxo de radiação solar absorvido pelo planeta em 1999/2000. De acordo com o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (Sigla em Inglês IPCC), a sensibilidade climática (λc) é um parâmetro totalizador utilizado na equação:

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onde  ΔF é a variação da forçante radiativa (W/m2) devida a uma variação de uma variável controladora do clima global, por exemplo a concentração de gases de efeito estufa,  e ΔT (°C) é a variação da temperatura  correspondente a essa variação.   Na versão E do modelo de clima global do Instituto Goddard para Estudos Espaciais/NASA (Sigla em Inglês GISS/NASA).

O valor de λc é igual a 0,7°C/W/m2(Hansen et al, 2007) o que significa que para cada 1 W/m2 de alteração na forçante, ter-se-ia uma variação de 0,7°C na temperatura média global.

Conforme indicado acima, uma redução da cobertura total de nuvens de 5% levaria a um aumento de 4 W/m2 no fluxo de radiação absorvida pela Terra em 2000, o que representaria um fluxo médio (ΔF) de 2 W/m2 nesse período de 18 anos. Esse valor inserido na equação acima resultaria num aumento de ΔT = 1,6°C na temperatura média global. Na Figura 2, mostram-se os dados da variação da temperatura média global da baixa troposfera obtidos pelo sensor de micro-ondas a bordo de satélites (MSU) e processados na Universidade do Alabama em Huntsville (Spencer, 2017) para o mesmo período.

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Figura 2. Dados do MSU processados pela UAH (Spencer, 2017)

Conforme pode ser visto pela reta pontilhada de tendência na Figura 2, a variação de temperatura medida pelo MSU foi de apenas 0,3°C em todo o período, que  inclui o super El Niño de 1997/1998, que elevou a temperatura média global em 0,74°C em abril de 1998, e outros eventos El Niño moderados ocorridos em 1986/1987 e 1991/1992 e 1994/1995. É sabido que eventos El Niño injetam grandes quantidades de calor, tanto na forma de calor sensível como na de latente, na atmosfera, afetando a temperatura e o clima global.

A conclusão que se chega é que algo deve estar errado com os modelos de clima global utilizados pelo IPCC. O aumento médio de cerca de 2 W/m2 devido à redução da cobertura de nuvens global deveria ter provocado um aumento de 1,6°C na temperatura média. Porém, foi verificado um aumento de apenas 0,3 °C com as observações do MSU que resultaria num parâmetro de sensibilidade climática (λc) igual a 0,15 °C/W/m2 e não 0,7°C/W/m2 como resulta do modelo E do GISS/NASA.  Ao dobrar a concentração de CO2 na atmosfera, o aumento de forçante radiativa seria de 4 W/m2, que daria um aumento na temperatura global de cerca de 3°C. Porém, se a sensibilidade climática do planeta for semelhante à encontrada aqui, o aumento da temperatura global seria cerca de 0,5°C, dentro a variabilidade natural do clima e nada catastrófico como tem sido alardeado .

Referências Bibliográficas

Hansen, J. et al, 2007. Climate simulation for 1880-2003 with GISS Model E, sub Climate Dynamics. https://arxiv.org/pdf/physics/0610109

Spencer, R.W., 2017.  http://www.drroyspencer.com/latest-global-temperatures/

Trenbert, K. et al., 2009.

http://echorock.cgd.ucar.edu/cas/Staff/Fasullo/my_pubs/Trenberth2009etalBAMS.pdf

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