Refutando o aquecimento global antropogênico.

Por: PROF. JOSÉ CARLOS DE ALMEIDA AZEVEDO

doutor em física pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts, EUA). Foi reitor da UnB (Universidade de Brasília).

XII Congresso Brasileiro de Geoquímica e VIII International Symposium on Environmental Geochemistry, realizado no período de 18 a 22 de outubro de 2009, em Ouro Preto, MG.

Há vinte anos, a ONU criou o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas,
IPCC – na sigla em inglês, e divulgou notícias alarmantes sobre o “efeito estufa” que
disse ser uma ameaça à vida na Terra motivada pelo aumento da concentração do
CO2 na atmosfera. Talvez por não existir relação com o que ocorre numa estufa para
plantas, que se aquece devido à ausência de convecção, mudou o nome para
“Aquecimento Global Antropogênico”, AGW na sigla em Inglês. Mas nem este nome é
adequado por não ter sentido falar em “temperatura da Terra”: ela varia de lugar para lugar e em um mesmo lugar e carece de significado falar em “temperatura média”.
O nome atual, “Mudanças Climáticas”, também não tem sentido na medida em que
queiram indicá-las como um fato novo e catastrófico; elas são comuns desde a
formação da Terra e basta mencionar as ocorridas nos 20 mil anos anteriores ao início
da era industrial o aquecimento no Holoceno (9.600 a 9.500 a.C.); o resfriamento
Egípcio (6.500 a 6.000 a.C.); o resfriamento no Holoceno (6.000 a 3.600 a.C.); o
resfriamento Acadiano (3.600 a 1.500 a.C.); o aquecimento Minoano (1.500 a 1.200
a.C.); o Resfriamento na Idade do Bronze (1.200 a 500 a.C. ); o aquecimento Romano
(500 a 535 D.C.) e na Idade das Trevas (535 a 900 d.C.); o aquecimento Medieval
(900 d.C. a 1.300 d.C.); a Pequena Idade do Gelo (1.300 a 1.850 d.C.). Várias
civilizações na Mesoamérica, Maia, Moche, Tiwanaku desapareceram com as
mudanças no clima; há 2,6 milhões de anos o Saara era verdejante e lá havia rios,
lagos e vida animal. As mudanças são normais, sempre existiram e não há como
alterá-las, pois envolvem quantidades fantásticas de energia, acompanham ciclos
astronômicos e sofrem influência das radiações cósmicas. Cinco vezes, mais de 70%
de todas as espécies foram extintas e ressurgiram de novo, desde o aparecimento das
primeiras formas de vida.

Qualquer ramo do conhecimento que pretenda ser científico e prever o futuro deve
explicar o passado, o que não faz o IPCC; sua melhor tentativa foi o trabalho de
M.Mann, hoje sem valor. Mas os geólogos têm registros de temperaturas e de níveis de
carbono na Terra ao longo de bilhões de anos que contradizem o IPCC: sempre houve
variações no clima e na concentração de CO2 antes da Era Indusrial e não há
correlação entre as variações da temperatura e as do CO2, exceto quanto ao seguinte:
a concentração de CO2 sempre aumentou depois de a temperatura aumentar e há
milhões de anos houve concentrações de CO2 superiores à atual:

1) A atual concentração é de 380 ppm (0.38%) menor que a existente no final do
Período Carbonífero
2) Nos últimos 600 milhões de anos, excetuado o final dos Períodos Carbonífero e
Quaternário, os níveis foram superiores, de 400 ppm.
3) No início do Carbonífero foi 1.500 ppm; no meio desse Período caiu para 350
ppm.
4) Há 200 milhões de anos, no Jurássico, a concentração foi de 1.800 ppm, cerca 4.7
vezes a atual;
5) No fim do Cambriano, foi de 4.400 ppm, cerca de 18 vezes a atual e, no Paleozóico, chegou a 7.000 ppm.
6) No final do Ordoviciano, que foi um Período Glacial, o nível de CO² no ar foi 12
vezes maior que a atual e o nível dos mares foi uns 50 metros mais baixo.
Há 15.000 anos a Terra começou a aquecer após permanecer 100.000 anos em uma
“idade do gelo”, quando camadas de gelo com cerca de 2 km de altura cobriram
grandes extensões da América do Norte e da Europa. Há cerca de 12.800 anos ela
voltou à condição anterior abruptamente, permaneceu assim por 1.200 anos e terminou 400 anos depois. Isso seria conseqüência da vasão de 9.500 km³ da água doce do lago então existente na fronteira dos EUA e Canadá, o Lago Agassiz, que fluía para os vales do Mississipi – Missouri e desviou-se para o do São Lourenço. Por isso, a corrente termohalina, de água salgada e mais densa, afundou e a de água doce do lago fluiu na superfície e interrompeu a transferência de calor para o Norte; a temperatura na Groenlândia caiu ao nível glacial e subiu 10°C em 1 0 anos ao cabo desse período. As mudanças abruptas também indicam a inconsistência das previsões climáticas.
A Terra se encontra em um período interglacial e nos últimos 10.000 anos o clima foi
ameno; esses períodos ocorreram cada 100.000 anos e duraram entre 15.000 a 20.000
anosl. Há 18.000 anos a Terra está em um interglacial. O gráfico abaixo mostra a
fraca correlação entre temperatura e concentração de CO2; o seguinte mostra a
periodicidade das glaciações a cada 100 mil anos aproximadamente.
O IPCC e seguidores querem substituir os combustíveis fósseis por fontes de
“energias renováveis” e “novas tecnologias”. Do total de 12 trilhões de Watt-hora de
energia usados na Terra por ano, 85% são de origem fóssil e a previsão é de
acréscimo de 10 trilhões até 2052; a área a ser plantada para garantir apenas esses 10
TW é estimada em 15 milhões de KM² que correspondem a mais do dobro da
brasileira. Para prover toda a energia, será de 22 milhões de KM², maior que a da
China (10 milhões de KM²) e comparável à da América Latina. O estudo mostra a
inviabilidade das “novas tecnologias” “renováveis”, no estágio atual de conhecimentos.
Além disso, boa parte das novas tecnologias que propõem inventar, são do domínio
público.
É razoável dizer que a compreensão física dos efeitos meteorológicos e climáticos
começou com W. F. Herschel (1738-1822) que, em 1801, mostrou a anticorrelação
que há entre o número de manchas solares e o preço do trigo e assim mostrou, pela
primeira vez, a influência de radiações no clima. As manchas foram observadas pela
primeira vez por Galileo em 1610; quase 150 anos depois, em 1752, B. Franklin
provou que as nuvens são carregadas de eletricidade e hoje se sabe que as correntes
nelas existentes atingem 1500 A. , a potência vai 400 MW e a voltagem a 250 KV.
Uma descoberta importante foi a de C. T. R. Wilson, inventor da câmara de Wilson, ou
de nuvens, que comprova a ionização causada no vapor de água por partículas
elementares.
Em 1998, H. Svensmark e outros cientistas do Instituto de Pesquisas Espaciais da
Dinamarca provaram a influência da radiação cósmica no clima da Terra, causada pela ionização em nuvens baixas. Ao interagir na estratosfera, a radiação cria partículas que ionizam a atmosfera e formam núcleos de condensação em nuvens baixas. Por fim, N. Shaviv e J. Veizer, analisaram a trajetória do Sistema Solar na Via Láctea e mostraram que ela se relaciona aos períodos geológicos da Terra, em particular às glaciações, que coincidiram com passagens do Sistema Solar por braços da e regiões da Galáxia.
O CERN – Conseil Éuropéen pour la Recherche Nucléaire, o maior laboratório de
pesquisas nucleares existente, criou um consórcio de universidades e de cientistas
para estudar a influência da radiação cósmica no clima e na atmosfera da Terra; dele
participam as universidades Aarhus (Dinamarca); Bergen, (Noruega); CalTech (EUA)
Helsinki (Finlândia); Kuopio (Finlândia), Mainz (Alemanha); Tampere de Tecnologia
(Finlândia); a Vienna (Áustria) e Leeds e Reading (Inglaterra), além do Danish National Space Center (Dinamarca); o Finnish Meteorological Institute (Finlândia); o Lebedev Physical Institute (Rússia); o Leibniz Institute for Tropospheric Research (Alemanha); o Max-Planck Institute for Chemistry (Alemanha); o Max-Planck Institute for Nuclear Physics (Alemanha); o Paul Scherrer Institut (Suíça); o Rutherford Appleton Laboratory (Inglaterra); o Departmento de Química da Universidade de Copenhagen (Dinamarca); o Institute for Physics and Astronomy da Universidade de Aarhus (Dinamarca); o Niels Bohr Institute for Astronomy, Physics, and Geophysics da Universidade Copenhagen (Dinamarca); o Space and Atmospheric Physics – Blackett Laboratory do Imperial College (Inglaterra) e o Swedish Institute of Space Physics (Suécia). O início das operações desse Laboratório, que tem o nome sugestivo de CLOUD – Cosmic Rays Leaving Outdoor Droplets usará câmara de nuvens (Wilson) para estudar a possível conexão entre raios cósmicos galáticos e a formação de nuvens; pela primeira vez, a física de altas energias servirá para estudos atmosféricos, o que mudará radicalmente a compreensão da natureza das nuvens e do clima O laboratório reune especialistas em física da atmosfera, do Sol, dos raios cósmicos e de altas energias e é coordenado pelo físico Jasper Kirkby.
Em bilhões de anos, a Terra, passou por vários períodos glaciais e foi uma bola de
gelo entre 790 e 670 milhões de anos antes da Era Cristã. Parte da Europa, da Ásia e
dos EUA esteve sob uma enorme camada de gelo que chegou a dois quilômetros de
espessura, degelou há uns 20 mil anos e fez subir o nível dos mares mais de cem
metros. O Saara foi fértil, a Groelândia foi verde, havia vinhedos na Inglaterra e no
Labrador, mas nesses períodos não havia o “C0² antropogênico”.
São inconsistentes, e falhos do ponto de vista matemático, os modelos do IPCC que
nem conseguem registrar as mudanças climáticas recentes que deixaram muitos
vestígios: o Período Medieval Morno e a Pequena Idade do Gelo. No primeiro houve
um a créscimo de temperatura de 2°C a 4°C e durou e ntre os anos 900 D.C. até 1.300
D.C.; nessa ocasião, os Vikings chegaram à verde Groelândia e à América, na
Terranova e Labrador, que chamavam Vinland, terra dos vinhedos que, nessa época,
também existiam na Inglaterra. Nesse período surgiram as grandes descobertas, as
grandes construções, a abundância de alimentos, o progresso da ciência e o aumento
da população. No período seguinte, a variação de temperatura foi no sentido oposto e
foi marcado pela fome e proliferação de doenças. O IPCC ocultou esses dois períodos
de seus registros porque eles contradizem o que ele afirma: que o clima na Terra foi
constante por mil anos e a temperatura só aumentou com o advento do CO² da Era
Industrial, o que é falso. Os GCM, Modelos Climáticos de Circulação Geral são os
mais complexos modelos de cálculo existentes, mas não conseguem registrar esses
períodos.
Ninguém sabe ainda provar se começou ou não um novo período de aquecimento ou
de esfriamento da Terra; o que se sabe é que a Terra esfria há cerca de dez anos, que
2008 foi o período mais inativo do Sol no último meio século, com 266 dias sem uma
única mancha visível desde a Terra. Isso talvez indique que ele iniciou um ciclo
semelhante ao ocorrido nos séculos 17 e 18, os citados Mínimos de Dalton e Maunder,
que durou decênios, teve poucas manchas solares e coincidiu com um período de frio
intenso.
A carta de fundação do IPCC definiu assim o que é mudança climática: “a change of
climate which is attributed directly or indirectly to human activity that alters the
composition of the global atmosphere and which is in addition to natural climate
variability observed over comparable time periods’ As projeções climáticas não
merecem credibilidade, o que reconhece o próprio IPCC ao afirmar no Relatório de
2007 “Climate Changes, Synthesis Report Summary for Policy Makers”, pág. 5: “Most
of the observed increase in global average temperatures since the mid-20th century is
very likely due to the observed increase in anthropogenic greenhouse gas
concentrations.”

Outros estudos apontam graves erros nesses modelos e o próprio IPCC faz o alerta no
Third Assessment Report, pág.774: “In climate research and modelling, we should recognize that we are dealing with a coupled non-linear chaotic system, and therefore
that long term prediction of future climate states is not possible”. K. Trenberth, membro do IPCC, afirmou “There are no (climate) predictions by IPCC at all. And here has never been”…”none of the models used by IPCC is initialized to the observed state and none of the climate states in the models correspond even remotely to the observed
climate”… GCM “do not consider many things … ozone layer… state of the oceans…
sea ices…”.
De acordo com o Consenso de Copenhagen, a redução do uso dos combustíveis
fósseis para limitar o aumento de temperatura em 2,5°C até o final deste século
custará U$ 15,8 trilhões, mas não provam que ela irá ocorrer se houver; mas o IPCC
não diz por que esse aumento será maléfico, se poderá ser evitado ou se existem
procedimentos mais seguros e mais baratos de chegar ao mesmo resultado. Mas esse
aumento não causará dano à saúde e, para limitar o aumento da concentração de CO², há métodos nais eficazes, mais baratos e benéficos à vida na Terra. A recuperação de florestas é um deles, a absorção do CO² por ervas daninhas é outro, os melhores
projetos de engenharia etc.
Após tantas previsões e projeções climáticas por computador, tantos alarmes falsos,
tantas reuniões em locais aprazíveis – verdadeiros Woodstocks Climáticos – tantos
cientistas – artistas de Hollywood falando sobre clima, tantos discursos e artigos ocos;
após tantas ameaças de burocratas sem qualquer preparo científico (Yvo de Boer e
Ban Ki Moon entre elestros) e tantas dezenas de bilhões de dólares criminosamente
gastos que deveriam ter sido usados para solucionar problemas importantes para a
humanidade, quase nada restou do assunto das mudanças e as afirmações do IPCC
acima (“very likely”…) transcritas são prova disso. Querem agora resolver um
problema inexistente com argumentos diplomáticos. Mas a questão é outra: é de
natureza estritamente científica e técnica e esta ainda não foi equacionada.
Leitura Importante: “Climate Change Reconsidered: The Report of the Nongovernmental Panel on Climate Change”. Editora The Heartland Institute; tem 979
páginas, dezenas de estudos e milhares de referências científicas.

Referências

Os artigos abixo foram selecionados porque são feitos por cientistas renomados e
podem ser licalizados na Internet
1) C. ESSEX, R. MC KITRICK E B. ANDREWS: “DOES A GLOBAL TEMPERATURE EXIST ?”
JOURNAL OF NON EQUILIBRIUM THERMODYNAMICAS, VOL. 32,i; 2007)
2) Ian Plimer: “Heaven and Earth – Global Warming, the Missing Science (Corcoran Books, 2006)

3) P. de Menocal: “Cultural Response to Climate Change Suring the Late Holocene”. (Science, abril 2001)
4) S. Baliunas e W.Soon: “A SCIENTIFIC DISCUSSION OF CLIMATE CHANGE”, NOV. 1977 (TheMarshall Institute)
5) C.A. Perry, K. J. Ksu: “Geophysical, Archeological and Historical evidence Support a Solar Output Model for Climate Change” Proceedings of the National Academy of Sciences 97, (2000)
6) J. KIRKBY: “COSMIC RAYS AND CLIMATE”(SURVEYS IN GEOPHYSICS 28, 2007; na Springerlink e no CERN PH-EP 2008 005; março 2008.
7) J.Veizer: “Celestial Climate Driver: “A PERSPECTIVE FROM FOUR BILLION YEARS OF THE CARBON CYCLE”; (GEOSCIENCE CANADA, 32. N.1 MARÇO 2005)
8) R. Carter: “Knock, Knock: Where is the Evidence for Dangerous Human Caused Global Warming?” (Economic Analysis and Policy, vol. 39, 2 Sept. 2008)
9) R. Lindzen: Climate Alarm – Where Does it Come from? (The Marshall Institute, Dez. 2004)
10) M. Hoffert e outros: “Advanced Technology Paths to Climate Stability: Energy for a Greenhouse Planet”; Science 298, Nov.2002, 981 a 987
11) H. Svensmark, J.O.Pedersen e outros: “Experimental Evidence of the Role of Ions in Particle Nucleation Under Atmospheric Conditions. (Proc. Royal Soc. Vol 483. (2007)
12) H. Svensmark “Influence of Cosmic Rays on Earth’s Climate” (Physical Review Letters,81 (1999)
13) N.D.Marsh, H. Svensmark “Low Cloud Properties Influenced by Cosmic Rays”. (Physical Review Letters 85 (2000)
14) N. SHAVIV: “ON CLIMATE RESPONSE TO CHANGES IN THE COSMIC RAYS FLUX AND
RADIATION BUDGET”; (Journal of Geophysics Research, vol I10, 2005;)
15) N. SHAVIV AND J. VEIZER: “CELESTIAL CLIMATE DRIVER OF PHAENEROZOIC CLIMATE? (GEOLOGICAL SOCIETY OF AMERICA, JULY, 2004;
16) A. ZICHICHI: “CLIMATE CHANGE AND DEVELOPMENT. METEOROLOGY AND CLIMATEPROBLEMS AND EXPECTATIONS” (PONTIFICIAL COUNCIL FOR JUSTICE AND PEACE, AbRIL DE 2007)
17) A.H.Robinson; N.E. Robinson, W. Soon: ”Environmental Effects of Increased Carbon Dioxide”. (Journal of Americas Physicians and Sugeons)
18) W. Soon, S. Baliunas: “Lessons & Limits of Climate History: Was the 20th Century Climate Unusual?” (The Marshall Institute)

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