Qual temperatura?

Por: JOSÉ CARLOS DE ALMEIDA AZEVEDO, doutor em física pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts, EUA). Foi reitor da UnB (Universidade de Brasília).

“Para ver que “temperatura global” não faz sentido, adeptos do IPCC devem pôr a cabeça no forno, os pés no freezer e tentar tirar a média.”

NA CONFERÊNCIA que fez em Tóquio (Japão) sobre o aquecimento global, Vaclav Klaus, presidente da República Tcheca, disse que o pânico criado pelas mudanças do clima e supostas conseqüências catastróficas para a humanidade não devem ficar sem resposta da maioria silenciosa, que pensa racionalmente, pois elas não se sustentam em argumentos racionais, que sua substância não é a ciência, mas o abuso da ciência pelo ambientalismo, que é uma ideologia não liberal e autoritária, que despreza a liberdade e a prosperidade. Disse ainda que o debate não é sobre temperatura e CO2, é uma “variante do velho confronto entre a liberdade e o livre mercado versus controle político e dirigismo da atividade humana, vindo de cima”.

Cabe lembrar: o ambientalismo surgiu com o biólogo alemão e expoente do pangermanismo Ernst Haeckel, que cunhou o conceito de “Lebensraum”, espaço vital à expansão do nazismo. Sua frase “política é biologia aplicada” justificou o racismo e o nacionalismo germânicos.

Na sua conferência sobre o clima na ONU, em 2007, Klaus disse que essa questão se resolveria se cessasse o monopólio das manifestações unilaterais do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, na siga em inglês) e a ONU ouvisse os cientistas críticos dos seus métodos e conclusões. A proposta nem foi levada em consideração. Por isso, muitos cientistas criaram o NIPCC (Painel Não-Governamental sobre Mudança Climática, na siga em inglês) para analisar toda a literatura científica e técnica sobre o clima, incluindo os estudos ignorados pelo IPCC, órgão governamental.

O primeiro relatório do NIPCC, editado por Fred Singer, foi publicado em 2008 e apresentado por Frederick Seitz, ex-presidente da Academia Nacional de Ciências dos EUA e da Sociedade Americana de Física e crítico acerbo dos métodos, procedimentos, conclusões e sugestões do IPCC. O relatório, elaborado por 23 cientistas renomados, especializados na questão, pode ser lido na internet: “Nature, Not Human Activity, Rules the Climate” [Natureza, Não a Atividade Humana, Controla o Clima].
É uma contestação científica cabal das conclusões do IPCC. Diz que ele usou dados errados; que é parcial a compreensão científica dos fenômenos atmosféricos; que a concentração mais elevada do CO2 na atmosfera é mais benéfica à vida animal, à vegetal e à saúde humana que as concentrações menores; que é insignificante a contribuição do homem no aquecimento; que os próprios dados do IPCC e do relatório do Programa Científico para Mudança do Clima provam que as mudanças de temperatura são inferiores às calculadas pelo IPCC; que os computadores não são confiáveis para prever o clima e que a causa principal do aquecimento e resfriamento decenais da Terra derivam do Sol e da radiação cósmica, que também é responsável pelas mudanças climáticas comprovadas dos últimos 500 milhões de anos. Em vários períodos desses anos, a concentração do CO2 foi mais de 20 vezes superior à atual e o clima na Terra continuou estável.

O matemático N. Wiener disse que quem usa computador para prever o clima estão iludindo o público ao pretender ser a atmosfera previsível.
Pior: os dados sobre a “temperatura global” que o IPCC calcula não têm significado científico, pois não existe o que ele diz ser a “temperatura da Terra”: não há como medi-la, pois se trata (desculpe-me o leitor o termo científico) de questão relacionada à “termodinâmica dos sistemas fora do equilíbrio”, que não comportam uma única temperatura por ser um fenômeno local, e não global. Só cabe sugerir a leitura amena do artigo “Does a Global Temperature Exist?” [Existe uma Temperatura Global?] (“Journal of Non Equilibrium Thermodynamics”, vol. 32, 1, fevereiro de 2007), de C. Essex, R. McKitrick e B. Andersen, das universidades de Ontário, Guelph e Copenhague.

É muito pior: o IPCC calcula a “temperatura global” tomando a média das observadas em milhares de locais e em datas diferentes, outro contra-senso, pois tal média não tem significado físico nem matemático e há infinitas maneiras de calculá-la.
Os meteorologistas usam mais de cem (boletim da Sociedade Americana de Meteorologia, 75, 1997, 2.837 a 2.849). Qual é a correta? Se o leitor somar todos os números do catálogo telefônico de São Paulo e dividir pelo número de telefones, pode falar do “telefone médio” de São Paulo, um conceito inútil, e compará-lo com o de um catálogo anterior e dizer se o “telefone médio de São Paulo” aumentou ou não. Mas para que isso serve? A média de temperatura de sistemas fora do equilíbrio não tem sentido. Nesse caso, a temperatura é um efeito local, e não global. Para comprovar isso, os adeptos do IPCC, porque não entendem de ciência, devem colocar a cabeça num forno a 100ºC e os pés num congelador a -50ºC e verificar se estão na temperatura média de 25ºC.

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