Resposta do Prof Molion a Folha.

Caros leitores,

Recentemente a Folha escreveu uma matéria, na qual faz uma crítica ao Prof Molion, por receber pagamento em proferir palestras para o agronegócio.

Engraçado que vários aquecimentistas também estão a proferir palestras e recebendo para isso e ninguém fala nada, mas pelo fato do Prof Molion se posicionar como crítico do aquecimento global antropogênico, a Folha insinua que o Prof Molion está recebendo para falar sobre mudanças climáticas.

Declaro aqui que todas as vezes que o Prof Molion, falou no meu canal do YouTube, sempre foi de graça.

Mas agora, e se ele receber para falar contra as mudanças climáticas também? É crime? É crime um profissional renomado como o Prof Molion cobrar pelo seu trabalho?

Vamos refletir e ler a brilhante resposta do Prof Molion.

Link da notícia:

https://arte.folha.uol.com.br/ciencia/2018/crise-do-clima/cerrado/agronegocio-banca-palestras-de-cetico-sobre-mudanca-climatica-para-ruralistas-no-matopiba/

Abaixo, segue a resposta do Prof Molion.

O ditado diz que “Não se atira pedras em árvore que não dá frutos”.

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Os jornalistas da Folha sempre foram “aquecimentistas” mesmo porque o que vende jornal é “catástrofes climáticas” e não “variabilidade (natural) climática”. Eu já fui chamado pela Folha para um debate interno com seus jornalistas e aceitei o desafio. É claro que não adiantou nada.

Um ponto fundamental é que a Folha não faz menção alguma sobre os benefícios, tanto econômicos como psicológicos, decorrentes das informações que levo ao produtor rural. Muita gente já deixou de perder dinheiro com essas informações. Existem outras afirmações no artigo que são óbvias pela linha que a Folha defende, na qual a Ludmila Rattis (ONG=suspeita) achou dados de temperatura nos cerrados desde 1901. Conheço pessoalmente todos os da Climate Research Unit, ex-encabeçada por Phil Jones, o time do do “climategate” ou “hide the decline”. Não sei quais foram estações e dados que a Juliana Oliveira usou para a tendência das chuvas entre 1997-2010. Além de não poder atribuir os desvios negativos de chuva à ação humana em transformar os Cerrados, vejam o mapa de chuva sobre a variabilidade das chuvas no Brasil no período out-mar de 1977-2010 comparado com 1948-1976.

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Notem que nesse período recente, a precipitação praticamente não mudou (cor branca). O gráfico acima é dos desvios normalizados de totais anuais de chuva, média para a área de coordenadas geográficas 10°S-20°S e 45°W-55°W que engloba o Estado de Goiás e mostra claramente que, no período anterior ao estudo de Juliana (1948-1976), os totais, em média,

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apresentaram desvios negativos, com a pior seca registrada 1963, seguida da seca em 1954 nos 70 anos de dados aqui apresentados. No período 1948-76, a região ainda não era ocupada extensamente. Portanto, não se vê tendência de redução de chuva, muito menos provocada pela ocupação agrícola em Goiás. E já mostrei aqui que as chuvas locais dependem da umidade que é transportada pelos ventos Alísios, umidade essa vinda do Oceano Atlântico e não da Amazônia. E, para o Prof. Charlie, quero ressaltar que meu trabalho é estritamente profissional em clima e variabilidade climática. Existe uma realidade, produtores rurais ocupando os Cerrados e, diante dessa situação irreversível, estou dando minha contribuição para que  tenham perdas minimizadas, conservem o ambiente e aumentem a produtividade. Não quero entrar no mérito se devemos “salvar” os Cerrados dos produtores rurais e propor “alternativas melhores”.

Em tempo, a média de chuva anual espacial em Goiás entre 1948-2014 é de 1.541 mm/ano, com desvio padrão de 147 mm/ano. A do período em que a região não era ocupada, 1948-1976, é 1.503 mm/ano, com desvio padrão de 159 mm/ano e, a de 1977-2010, é 1.569 mm/ano, com desvio padrão de 136 mm/ano. Desvio padrão menor significa clima mais bem comportado, com chuvas próximas da média do período. Sob a ótica da significância estatística, esses números não são diferentes entre si. Mas, por que alguém não afirma [ridiculamente] que a “transformação do uso da terra (desmatamento + agricultura) fez aumentar a chuva nos Cerrados”?

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