NOTA SOBRE ÍNDICE DE CIRCULAÇÃO ATMOSFÉRICA

Por:. Prof. Luiz Molion.

Carl-Gustaf Rossby, no final dos anos 1940, formulou a teoria da existência de ondas nos ventos de oeste nos níveis superiores da atmosfera do Hemisfério Norte (HN) e de sistemas frontais, ou frentes frias. Posteriormente, essas ondas nos ventos de oeste ficaram conhecidas como Ondas de Rossby. O número e a amplitudes dessas ondas são variáveis com o tempo. Em períodos em que a amplitude é grande, o escoamento é mais meridional, ou seja, o transporte de massas de ar tem um componente forte na direção equador-polo. Em períodos em que sua amplitude é pequena, o transporte de ar é predominantemente de oeste para leste, com alto índice de zonalidade, isto é, seguindo um circulo de latitude. O curioso é que esses períodos de predominância da circulação zonal ou da circulação meridional tem duração de 25 a 30 anos, conforme pode ser visto no gráfico, linha mais fina (ICA). Durante 25-30 anos, predomina o modo zonal e, nos próximos 25-30 anos, predomina o modo meridional. A linha mais grossa nesse gráfico representa os desvios da temperatura global média (TGM), série HADCRUTEMP,

gráfico

se é que se pode falar em uma “temperatura global média”. Os períodos em que o ICA apresenta derivada negativa correspondem a períodos em que o escoamento dominante é meridional, na direção equador-polo, ou seja, Ondas de Rossby de maior amplitude. Nessas circunstâncias, há maior penetração de frentes frias ou massas de ar polar em latitudes mais baixas ou equatoriais. Períodos em que o ICA apresenta derivada positiva indica predominância da circulação na direção oeste-leste, com menor penetração de ar polar nas latitudes baixas. O primeiro ponto a ser notado é que a curva da TGM segue a curva do ICA. Ou seja, períodos frios, como o de 1946-1975, correspondem à derivada de ICA negativa e vice-versa. Nota-se que, a partir de 1975, a derivada da ICA se tornou positiva, indicando maior zonalidade e menor penetração de ar polar nos trópicos. Porém, já há indícios de mudanças na derivada do ICA a partir de 2002-2003, sugerindo um novo período de predominância de circulação mais meridional, ou seja, maior penetração de sistemas frontais ou frentes frias em regiões de latitudes baixas. Parece provável, portanto, que a TGM vai se resfriar, e não se aquecer, nesses próximos anos, até 2030-2032, e o sul do Brasil apresentar invernos com maior frequência de geadas, semelhante ao ocorrido em 1946-1975. Ou seria mera coincidência a curva da variação da temperatura global média seguir a do Índice de Circulação Atmosférica com um atraso (“lag”) de aproximadamente 10±1 anos?

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