NOTA SOBRE DA AMAZÔNIA E SECAS NO SUDESTE

Luiz Carlos Baldicero Molion, PhD

Dizem que a Amazônia vai se tornar um deserto com o desmatamento. Pela definição dada pela  Organização Meteorológica Mundial, deserto é uma região na qual chove menos de 200 mm por ano. Portanto, com uma precipitação média de 2.400 mm por ano, a Amazônia jamais seria enquadrada como deserto. A fonte de vapor d’água (umidade) para seu total pluviométrico é o Oceano Atlântico. Fazendo os cálculos de entrada e saída de água, vê-se que, em média, os ventos Alísios transportam para dentro da região, em números arredondados, cerca de 1 milhão de metros cúbicos por segundo (m3/s) de água na forma de vapor d’água, dos quais apenas 40% são precipitados como chuva, os 60% restantes passam direto por sobre a região. Estudos de balanço hídrico regional mostram que, do total precipitado, 50% sai pelo rio e os outros 50% vão para a atmosfera por meio da evapotranspiração da floresta. Metade da precipitação, que corresponde a 20% do fluxo de entrada, é devolvida pelo rio Amazonas ao Oceano Atlântico (200 mil m3/s)  e a outra metade (20%) é reciclada pela evapotranspiração que se incorpora aos 60%, dando um total de 80% do fluxo de entrada que é transportado e convertido em chuva pelos sistemas frontais, ou frentes frias, no restante do País.

No período de 1983-1985,durante 24 meses, estimamos a evapotranspiração da floresta no Projeto ARME(*) e obtivemos uma média anual de 3,4 mm/dia. Sabendo que 1 mm corresponde a um volume de 1 litro/m2 se multiplicamos por 5 milhões de quilômetros quadrados, área coberta pela floresta, [(3,4 litros/m2/dia*5*1012m2)/8,64*104s/dia], vamos obter um fluxo de evapotranspiração médio de aproximadamente 200 mil m3/s.  Curiosamente, esse número corresponde aos 50% da chuva reciclados por evapotranspiração e a 20% do fluxo de entrada na região. A floresta, uma árvore, não produz água, apenas recicla a água da chuva que caiu anteriormente e que estava armazenada no solo. Portanto, o desmatamento não afeta as chuvas no restante do País.

No ano de 2014, em particular, o fluxo de umidade anual vindo da Região Norte foi o maior do período 1999-2014. Ou seja, a seca no Sudeste não ocorreu por falta de umidade atmosférica e sim devido ao sistema de alta pressão atmosférica, e inversão térmica associada, persistentes que inibiu a formação de chuva.  Porém, é óbvio que o desmatamento em grande escala seria altamente prejudicial para a região, particularmente no que concerne à biodiversidade e à degradação ambiental.

Certamente há milhares de espécies de seres vivos na região que são desconhecidas e, devido à grande quantidade de chuva, em geral, ocorre erosão, degradação do solo e assoreamento de calhas de rios, mudança da qualidade da água e da vida que dela depende. É por essa razão, e não climática, que a proteção dos solos da região é de extrema importância. Mas, isso tudo já é sabido e documentado. E a cobertura de floresta nativa é uma forma harmoniosa, bonita, de se proteger os solos tropicais, embora haja outras técnicas também eficazes.

Em resumo

  • entrada do fluxo de umidade =1 milhão de m3/s
  • descarga média do Amazonas = 200 mil m3/s (20% do fluxo de entrada)
  • evapotranspiração total média ou reciclagem de água pela floresta = 200 mil m3/s (20% do fluxo de entrada).
  • Fluxo de saída = 800 mil m3/s (20% do fluxo reciclado pela evapotranspiração + 60% do fluxo de entrada que passa direto sobre a floresta).
  • (*) ARME = Amazon Region Micrometeorological Experiment, INPE/MCTI e Institute of Hydrology, UK

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