A VARIABILIDADE DA TEMPERATURA GLOBAL.

Por Prof. Dr. Luiz Molion

Conversando com o Dr Thiago Maia, me lembrei de um episódio em 2007 que causou protestos em grande escala.

O GISS/NASA publicou o ranking dos 10 anos mais quentes nos USA e tirou 1934 do primeiro lugar e o substitui por 1998. A revolta foi tamanha que GISS/NASA voltou atrás e republicou o ranking.

No link https://climateaudit.org/2007/08/08/a-new-leaderboard-at-the-us-open/ vocês podem apreciar essa polêmica.

A primeira tabela é a que foi reajustada depois dos protestos. Notem que 4 dos anos da década de 1930 estão entre os 10 anos mais quentes nos USA até 2007. Existem alguns argumentos para colocarem estes últimos anos entre os mais quentes globalmente. Primeiro, a maior parte dos termômetros, usados na elaboração da temperatura “média global”, estão nas áreas urbanas e sofrem o efeito de ilha de calor. Segundo, a mudança de instrumentação, de termômetro de mercúrio em vidro, dentro de um amplo abrigo meteorológico [Stevenson screen], para termômetro (termistor) eletrônico, dentro de um pequeno abrigo de lata de uma estação automática, muito menor que o anteriormente usado, muda o tempo de resposta do instrumento a uma súbita mudança da variável.

O termômetro eletrônico tem uma constante de tempo [tempo para responder a 63% da variação brusca do sinal (signal step change= função degrau) ] bem menor que o de mercúrio.  Enquanto o termômetro de mercúrio pode levar mais de 5 vezes sua constante de tempo (mais 10 minutos) para responder à uma variação rápida da temperatura do ar, o eletrônico responde em menos de 5 segundos, segundo alguns fabricantes. Turbulência na atmosfera faz com que a temperatura em torno do sensor varie rapidamente.

Portanto, em média, os termômetros de mercúrio, com maior inércia, têm a tendência de medir temperaturas inferiores, até 3°C de diferença, às medidas pelos atuais eletrônicos, devido a sua grande constante de tempo.

Terceiro, saímos da Pequena Idade do Gelo (PIG) nos últimos 100 anos (eu estimo essa saída por volta de1915 e não 1850), inegavelmente o ar tinha que se aquecer mesmo porque a atividade solar no início do Sec. XX foi a maior já registrada. Os oceanos se aqueceram lentamente até 1945 e resfriaram de 1946-1975 e voltaram a aquecer novamente em função de a cobertura de nuvens ter se reduzido entre 1983-2000 (resultados do ISCCP). Até provavelmente 2005/2006, os oceanos alcançaram suas temperaturas mais elevadas nesses últimos 100 anos. Como o processo físico mais importante para o aquecimento do ar é a condução de calor, ar em contato com a superfície, e os oceanos constituem 71% da superfície terrestre, parece aceitável termos, em média, temperaturas mais elevadas agora. Em adição, o aumento de temperatura do ar teve a contribuição de, pelo menos, 3 eventos El Niño nos últimos 20 anos, os El Niños fortes de 1997/98 e o de 2014/16, e o evento moderado de 2009/10.

Agora, o Pacífico, que ocupa 35% da superfície terrestre, está esfriando. O mapa abaixo é comparação da média da temperatura do mar (TSM) de 1998-2018 menos a média das TSM de 1976-1997.

Notem que a maior parte do Pacífico Tropical apresenta desvios negativos, indicando seu resfriamento.

Como mencionei na Nota sobre o Índice de Circulação Atmosférica (ICA), de 1970 a 2000 aproximadamente, a derivada do ICA apresentou valores positivos e, nessas circunstâncias, o ar polar fica confinado nos polos e o resto do globo (60%) se aquece.

É claro que existe um quarto argumento que é o “massageamento”, ou“tortura”, dos dados observados para que eles “confessem” o aquecimento global. A melhor expressão disso vem do Climategate, de Phil Jones e seus colegas da CRU/UEA, Reino Unido: “hide the decline”. Infelizmente (notem!), o clima vai resfriar nas próximas devido à baixa atividade solar, ao aumento da cobertura de nuvens e ao resfriamento da superfície dos oceanos.

A História mostra que a humanidade sempre prosperou com clima quente. Clima frio é ruim para seres vivos. Interfere negativamente com as atividades humanas e mata muito mais que Clima quente. Abaixo, segue o gráfico de excesso de mortes no inverno de pessoas com mais de 65 anos de idade quando comparado com o período agosto a julho do ano seguinte no Reino Unido.

A tabela excel encontra-se no link: https://www.ons.gov.uk/peoplepopulationandcommunity/birthsdeathsandmarriages/deaths/bulletins/excesswintermortalityinenglandandwales/2017to2018provisionaland2016to2017final#excess-winter-deaths-in-2017-to-2018-are-the-highest-recorded-since-the-winter-of-1975-to-1976.

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