QUER CONTRIBUIR PARA “COMBATER” O AQUECIMENTO GLOBAL? PARE DE COMER ATUM E PICANHA!

Por Geraldo Luiz Lino

Não se pode negar que os cientistas engajados na agenda “aquecimentista” estejam fazendo a sua parte na produção de toda sorte de “evidências” sobre a alegada influência humana na dinâmica climática global. De fato, a sua criatividade em procurar tais dados provenientes de uma enorme variedade de supostos agentes de influência tem se mostrado superlativa, como demonstra a recente investida contra o consumo de carne.

Até há pouco, apenas a carne de ruminantes e aves estava na pauta, mas um time multinacional de dez pesquisadores (um deles do Fundo Mundial para a Natureza-WWF) acaba de incluir os peixes na agenda. Em um artigo publicado na revista Science Advances de 28 de outubro (“Deixem mais peixes grandes afundar: a pesca evita o sequestro do carbono azul”), os argutos pesquisadores informam ao mundo que a pesca de peixes grandes, como o tubarão, peixe espada ou atum, pode contribuir para o aumento das temíveis emissões de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera.

Em entrevista ao sítio RT (03/11/2020), o autor principal do artigo, Gaël Mariani, doutorando da Universidade de Montpellier, França, explica que, “quando se captura um peixe, o carbono contido nele é emitido, em parte, para a atmosfera, como CO2, uns dias ou semanas depois”, contribuindo para o “efeito estufa” da indústria pesqueira.

“A aniquilação da fonte de carbono azul (armazenado pelos ecossistemas marinhos) representada pelos peixes grandes sugere que devem se estabelecer novas medidas de proteção e gestão, para que mais peixes grandes possam continuar sendo um sumidouro de carbono e não se convertam em uma fonte adicional de CO2”, afirmou.

De acordo com o estudo, apenas em 2014, a pesca oceânica teria liberado 20,4 milhões de toneladas métricas de CO2 na atmosfera, equivalente às emissões anuais de 4,5 milhões de automóveis.

Complementando, o coautor David Mouillot, professor das universidades de Montpellier e James Cook, assinalou que “os barcos pesqueiros produzem gases de efeito estufa ao consumir combustível… e agora sabemos que, ao extrair os peixes, se libera CO2 adicional, que, de outra forma, permaneceria cativo no oceano”. Segundo ele, o estudo sugere que a “pegada de carbono” da indústria pesqueira seria cerca de 25% maior do que as estimativas anteriores.

Na semana seguinte, foi a vez de uma equipe de pesquisadores da Universidade da Califórnia em Santa Barbara, sugerir que o mundo precisar consumir menos carne bovina e alimentos derivados de carne, se quiser limitar o aumento da temperatura global a 1,5-2oC, a ilusória meta do Acordo de Paris. Publicado na edição de 6 de novembro da revista Science, o artigo tem recebido grande divulgação midiática, inclusive no Brasil, onde suas conclusões foram sintetizadas pelo Observatório do Clima (10/11/2020). Segundo os autores, se não houver uma mudança de rumo, apenas as emissões provenientes do setor de alimentos poderão fazer com que as temperaturas globais excedam o limite de 1,5oC até 2050.

Em entrevista ao sítio Science Daily (05/11/2020), o autor principal da peça, David Tilman, caprichou no terrorismo científico: “A demanda global de alimentos e os gases de efeito estufa associados a ela estão em uma trajetória que leva o mundo além da meta de 1,5 grau, e dificulta permanecer abaixo do limite de dois graus… E tudo o que seria preciso para nos levar a exceder o aquecimento de dois graus seria que as emissões dos alimentos permanecessem no seu caminho [atual] e um ano a mais de emissões atuais de combustíveis fósseis. E eu te garanto, nós não vamos parar as emissões de combustíveis fósseis em um ano.”

Para os autores, a resposta mais efetiva ao desafio é a adoção de uma dieta mais rica em vegetais, considerada não apenas mais saudável, mas também reduziria a demanda de carne bovina e de outros ruminantes, além de reduzir a pressão por mais terras para pastagens e a produção de grãos e fertilizantes necessários à alimentação dos animais.

Então, leitor, deixamos-lhe o repto: pretende dispensar um saboroso atum ou uma suculenta picanha, para não “afetar” o clima de 2050?

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