A HISTÓRIA (QUASE) SECRETA DO AQUECIMENTO GLOBAL!

Por Geraldo Lino, Do livro «A fraude do aquecimento global», Capax Dei, Rio de Janeiro (clique aqui para comprar)

A presente histeria mundial em torno do aquecimento global e a mobilização política articulada para “controlar” os seus alegados efeitos têm motivações bastante diferentes daquelas estabelecidas pelo papel e as responsabilidades da ciência como mola propulsora do progresso da humanidade. O fato é que uma legítima indagação científica sobre as funções do dióxido de carbono para o clima e a contribuição humana para o aumento das suas concentrações na atmosfera, que remonta ao século XIX, se viu alçada à condição de obsessão mundial e convertida numa pauta política que ameaça afetar drasticamente a matriz energética e os níveis de vida de todas as nações do planeta.

Tal processo pouco tem a ver com a ciência em si, mas com a captura de fenômenos atmosféricos, como as mudanças de temperaturas e o “buraco” na camada de ozónio, pela agenda ambientalista do Establishment (classe dirigente) anglo-americano. As motivações para a colocação em marcha desse processo remontam à década de 1950, quando a humanidade, como um todo, experimentava o período de mais rápida expansão do seu desenvolvimento socioeconómico. Tal impulso foi proporcionado pela reconstrução econômica do pós-guerra, o processo de descolonização na Ásia e na África e o arcabouço financeiro e monetário relativamente estável proporcionado pelo Sistema de Bretton Woods.

Ao mesmo tempo, uma série de conquistas científico-tecnológicas contribuía para disseminar um intenso otimismo cultural: a “Revolução Verde” das variedades vegetais alimentícias de alto rendimento, os avanços da medicina e da saúde pública, as telecomunicações, as perspectivas de uso pacífico da energia nuclear, a corrida espacial e outras. Naquele momento, a palavra de ordem era industrialização, principalmente entre os países subdesenvolvidos, muitos dos quais contemplavam ambiciosos planos de modernização econômica baseados na indústria. Em 1957, o comércio mundial de produtos industrializados superou, pela primeira vez, o de produtos primários e alimentos. Entre 1953 e 1963, a participação dos países subdesenvolvidos na produção industrial mundial subiu de 6,5 % para 9 %, uma alta de quase 50 %, com tendência ascendente. [1]

Foi nesse contexto que certos setores do Establishment anglo-americano, que desde o início do século XX promoviam iniciativas que visavam o controle social, como a eugenia (“melhoramento racial”) e o controle demográfico, colocaram em marcha o movimento ambientalista, com a criação de grandes ONGs internacionais como a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), o Fundo Mundial para a Vida Selvagem (WWF) e a Fundação Conservação (Conservation Foundation), as “sementes” da vasta rede de organizações que integram hoje o aparato “verde”.

O sociólogo Donald Gibson, da Universidade de Pittsburgh, que esbarrou no ambientalismo durante as suas pesquisas sobre o contexto do assassinato do presidente estadunidense John F. Kennedy (1961-63), descreve: [2]

No final da década de 1950 e início da de 1960, uma antiga inclinação existente entre alguns membros da classe superior estava prestes a se tornar um assunto nacional.

Esta inclinação iria redefinir as conquistas da ciência e da tecnologia como ações malignas que ameaçavam a natureza ou como fúteis tentativas de reduzir o sofrimento humano, que, diziam, era o resultado da superpopulação.

Essa tendência, em parte articulada como uma visão de mundo nos escritos de Thomas Malthus, toma o que podem ser preocupações razoáveis sobre temas como a qualidade do ar e da água e as reveste de uma ideologia profundamente hostil ao progresso econômico e à maioria dos seres humanos…

O impulso geral era claro: os EUA e o mundo deveriam se mover para acabar com o crescimento populacional e a proteção do meio ambiente deveria receber uma importância igual ou maior do que a melhoria dos níveis de vida… O crescimento econômico e a tecnologia eram vistos como problemas. (…)

Em síntese, a estratégia hegemônica do Establishmenet oligárquico visava, basicamente: 1) transferir o controle dos processos de desenvolvimento, dos Estados nacionais para entidades supranacionais e não-governamentais, consolidando estruturas de “governo mundial” (ou “governança global”); 2) erradicar o “vírus do progresso” entre os estratos educados das sociedades de todo o mundo, com a difusão do irracionalismo e da descrença nas conquistas científico-tecnológicas como motores do desenvolvimento; 3) reduzir o crescimento da população mundial; e 4) controlar uma grande proporção dos recursos naturais do planeta. [3]

Por esses motivos, não admira que a agenda ambientalista não priorize os grandes problemas ambientais realmente enfrentados pela maioria da população mundial. Em vez disto, por exemplo, os “verdes” têm em seu currículo: o banimento do inseticida DDT, responsável pela preservação de literalmente centenas de milhões de vidas em todo o mundo, evitando que fossem vitimadas por doenças transmitidas por insetos; o banimento dos clorofuorcarbonos (CFCs), versáteis produtos químicos que possibilitaram a popularização da refrigeração e seus incontáveis benefícios; um atraso de décadas nos usos pacíficos da energia nuclear; a obstaculização de incontáveis projetos de infra-estrutura energéticos e viários; e outras façanhas de igual calibre. Enfim, quase invariavelmente, os alvos principais das suas ruidosas campanhas têm sido elementos que são sinónimo de bem-estar e progresso, principalmente nos países em desenvolvimento.

Desde as fases iniciais da formação do movimento, o potencial de utilização dos fenômenos atmosféricos para a sua agenda antidesenvolvimento não passou despercebido pelos mentores do ambientalismo. Por isso, propostas como estabelecimento de uma legislação internacional referente aos impactos das atividades humanas na atmosfera, a criação de um organismo supranacional para implementá-la e a imposição de custos adicionais na utilização de combustíveis fósseis, como impostos ou, até mesmo, o estabelecimento de cotas de emissões de CO2, vêm sendo discutidas há décadas e nada têm de novidades.

Já em 1963, a Fundação Conservação patrocinou uma conferência sobre as “Implicações do crescente conteúdo de dióxido de carbono da atmosfera”, a qual foi presidida por Charles David Keeling. O relatório da conferência alertava que a duplicação do CO2 prevista para o século XXI poderia provocar uma elevação de até 4 ºC nas temperaturas, o que provocaria o derretimento de geleiras, elevação do nível do mar, inundação de áreas costeiras e outros problemas cuja descrição se tornaria lugar comum nos prognósticos catastrofistas sobre o assunto. [4]

Em contraste, no mesmo ano, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) convocou uma conferência em Roma para discutir os efeitos do “resfriamento global” sobre a produção mundial de alimentos. O principal especialista ouvido foi o climatologista inglês Hubert H. Lamb, diretor do Centro de Pesquisas Climáticas da Universidade de East Anglia e um renomado especialista dos climas do passado (além de opositor da tese simplista de que o CO2 teria uma influência determinante no

Na segunda metade da década de 1960, os estrategistas do Establishment transatlântico já se encontravam numa fase avançada da preparação da agenda de erradicação do “vírus do progresso”, com a sua substituição pelo conceito malthusiano dos “limites do crescimento”, para cuja promoção explícita foi criado o Clube de Roma, em 1968. A operacionalização do movimento ambientalista era uma peça fundamental da estratégia. [6]

Um dos principais centros organizativos do ambientalismo foi o Instituto Aspen de Estudos Humanísticos, sediado em Aspen (EUA), cuja figura central era Robert Orville Anderson, presidente da companhia petrolífera Atlantic Richfield, vinculada à Standard Oil, da família Rockefeller. Segundo Donald Gibson, o instituto “foi uma das primeiras organizações, se não a primeira, a começar a falar sobre a possibilidade de afstar os EUA do crescimento orientado pela ciência e a tecnologia”. [7] No conselho de administração do instituto, encontravam-se três nomes que viriam a desempenhar papéis cruciais na consolidação do ambientalismo: a antropóloga Margaret Mead; Robert McNmara, ex-secretário de Defesa dos EUA e futuro presidente do Banco Mundial (onde introduziu condicionantes ambientais aos empréstimos feitos pelo banco); e o canadense Maurice Strong, amigo particular de Anderson e que viria a se tornar a própria encarnação do “aquecimento”.

Em 1969, Anderson levou para a presidência do Instituto Aspen o ex-director de programas da Fundação Ford, Joseph Slater, que recrutou Thomas Wilson, ex-funcionário do Departamento de Estado dos EUA, para dirigir o programa ambiental do instituto. A primeira missão da dupla foi preparar uma vasta ofensiva organizativa nos dois lados do Atlântico, para colocar o ambientalismo na agenda política internacional. Por intermédio do embaixador sueco na ONU, Sverker Aastrom, Slater apresentou à Assembleia Geral da organização uma proposta para a realização de uma conferência internacional sobre o meio ambiente, a qual foi aprovada em 1970, depois de superar uma forte oposição dos países subdesenvolvidos, que já suspeitavam de que as preocupações ambientais poderiam implicar em obstáculos ao seu desenvolvimento econômico.

Em 1971, o mesmo grupo articulou a criação, em Londres, do Instituto Internacional para Assuntos Ambientais, depois renomeado Instituto Internacional para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (IIED), que atuava em estreita coordenação com o Instituto Aspen. Entre os seus fundadores, encontravam-se Anderson, Wilson, Strong, McNamara, o futuro ministro do Interior britânico Roy Jenkins e a economista inglesa Barbara Ward. Nas décadas seguintes, o IIED desempenharia um papel de relevo na incorporação dos setores empresariais e políticos europeus à agenda ambientalista, sendo ainda hoje um ativo promotor das soluções de “mercado” para os problemas ambientais, em especial os relacionados às mudanças climáticas.

A Conferência das Nações Unidas para o Ambiente Humano, realizada em Estocolmo, em junho de 1972, introduziu a temática ambiental nas relações internacionais, abrindo o caminho para a implementação da série de tratados internacionais que assinalaria o impulso ambientalista, Com a assessoria de Thomas Wilson, Maurice Strong foi o secretário-geral da conferência. [8]

O currículo de Strong, um self-made-man dotado de uma colossal capacidade de articulação e que abriu caminho para os escalões superiores do Establishment, é grande demais para sequer ser resumido aqui. Para os nossos propósitos, basta citar que ninguém o supera no papel de articulador do movimento ambientalista, atuando em numerosas posições de alto nível como empresário, funcionário do governo do Canadá, super burocrata da ONU, membro de conselhos de administração de fundações e ONGs e várias outras. Os leitores interessados podem completar a lista fazendo a sua própria pesquisa via Google ou consultando o livro da sua compatriota Elaine Dewar, Uma demão de verde, no qual é um dos principais protagonistas.

Antes de ser colocado à testa da Conferência de Estocolmo, Strong havia sido executivo-chefe da empresa de energia Power Corporation e participado diretamente da criação de dois órgãos oficiais do governo canadense dedicados à ajuda ao exterior, a Agência Canadense de Desenvolvimento Internacional (CIDA) e o Centro de Pesquisas sobre o Desenvolvimento Internacional (IDRC). Além disso, tinha numerosos vínculos de negócios com a família Rockefeller e Robert O. Anderson. Tais condições o colocavam em situação privilegiada para assumir o papel de “executivo-chefe” do movimento ambientalista em fase de internacionalização, inclusive com a sua incorporação ao aparelho das Nações Unidas.

Elaine Dewar descreve a atuação de Strong em Estocolmo: [9]

Quando a Conferência de Estocolmo foi instalada (iniciada), em 1972, Strong advertiu urgentemente sobre o advento do aquecimento global, a devastação das florestas, a perda da biodiversidade, os oceanos poluídos e a bomba-relógio populacional. Ele sugeriu um imposto sobre a movimentação de cada barril de petróleo e o uso desses fundos para criar uma grande burocracia da ONU, para chamar a atenção sobre a poluição onde quer que ela se encontrasse. Na medida em que eu lia esse velho discurso, eu compreendia que ele quase poderia ser repetido na Cúpula do Rio [em 1992]. Como essas mesmas questões poderiam estar na mesa vinte anos depois?

Um dos desdobramentos da Conferência de Estocolmo foi a criação do Programa das Nações Unidas par o Meio Ambiente (PNUMA), sendo que o primeiro diretor-executivo nomeado foi – Maurice Strong. No cargo, que ocupou até 1975, ele promoveu ativamente a popularização das supostas ameaças para a atmosfera, representadas pelo uso dos combustíveis fósseis e produtos químicos supostamente agressivos para a camada de ozónio – esta última, uma teoria alarmista que também dava os seus primeiros passos e seria crucial para a agenda ambientalista, como veremos adiante.

Em especial, Strong articulou uma aproximação do PNUMA com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), criando o arcabouço institucional para a “politização” dos temas climáticos, com um crescente envolvimento da comunidade científica e de representantes de ONGs ambientalistas, que, cada vez mais, eram envolvidas nos processos de formulação de políticas. Em um artigo publicado no jornal The Globe and Mail de Toronto, em 7 de Março de 2007, ele próprio recorda a sua intervenção na agenda climática: [10]

Como alguém cujo papel na colocação do tema das mudanças climáticas na agenda pública está sendo alvo de críticas, eu me apresso em confessá-lo. Como o primeiro diretor do PNUMA, eu convoquei uma reunião de especialistas em mudanças climáticas mais de 30 anos atrás. Em 1992, eu encabecei am Cúpula da Terra [conferência Rio-92], que produziu a Convenção sobre Mudanças Climáticas, e estive envolvido em Kyoto, quando foi acertado o contencioso protocolo das metas. (…)

No PNUMA, Strong também se ocupou com a possibilidade de danos ao ozónio estratosférico causados por atividades humanas – primeiro, gases emitidos por jatos supersónicos e, depois, a versátil famílias de produtos químicos conhecida como clorofluorcarbonos (CFCs), com dúzias de aplicações. Strong levantou o assunto aja na primeira reunião do conselho diretor do órgão e, em 1975, o PNUMA iniciou um programa para avaliar os riscos para a camada do ozónio. Em paralelo, o Natural Resources Defense Council (NRDC), ONG criada em 1970 pela Fundação Ford, lançou uma campanha pelo banimento dos CFCs. [11] Um dos fundadores do NRDC foi o biólogo George Woodwell, que já era um veterano cientista-ambientalista, tendo participado ativamente da campanha que levou ao banimento do DDT pela Agência de de Proteção Ambiental (EPA) dos EUA, em 1973. [12] Como veremos adiante, Woodwell viria a desempenhar um papel destacado na campanha “aquecimentista”, *
____________
* Em 1985, Woodwell fundou o Instituto de Pesquisas Woods Hole (não confundir com o Instituto Oceanográfico Woods Hole), conhecido dos brasileiros por suas frequentes investidas contra projetos de infra-estrutura na Região Amazónica, por intermédio de sua filial local, o Instituto de Pesquisa da Amazónia (IPAM). [13]

clima). [5]

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Referências:

1. F. William Engdahl, A Century of War: Anglo-American Oil Politics and the New World Order. Wiesbaden: Dr. Böttiger Verlags, 1933, pp.120-21.
2. Donald Gibson, Battling Wall Street: The Kennedy Presidency. New York: Sheridan Square Press, 1994, pp. 87, 121.
3. Para uma apreciação geral das origens e objetivos do ambientalismo, ver: Lorenzo Carrasco, Máfia Verde, capítulos 1 a 3.
4. Spencer R. Weart, The Discovery of Global Warming, p. 42.
5. Christopher C. Horner, Red Hot Lies: How Global Warming Alarmists Use Threats, Fraud and Deception. Washington: Regnery Publishing, 2008, p.32.

6. Executive Intelligence Review, Profile of the Environmental Conspiracy, 1965-1980, New York, s/d pp. 8-19.
7. Donald Gibson, op. cit., p.93.
8. Lorenzo Carrasco, op. cit., pp. 53-55.
9. Elaine Dewar, Uma demão de verde: os laços entre grupos ambientais, governos e grandes negócios. Rio de Janeiro: Capax Dei, 2007, pp. 283-84.
10. Maurice Strong, “A Super-Agency?”, The Globe and Mail, 7/03/2007, p. A15.
11. Stephen O. Andersen, K. Madhava Sama e Lani Sinclair, Protecting the Ozone Layer: The United Nations Story. London: Earthscan Publications, 2002, pp. 44-46.
12. Sobre a campanha para o banimento do DDT, ver: Geraldo Luís Lino et alii, Máfia Verde 2, pp. 213-17; tb. Elizabeth M. Whelan, Toxic Terror. Ottawa: Jameson Books, 1985, pp. 59-85.
13. Lorenzo Carrasco, op. cit., pp. 123-24Clique

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