A ATUAL FASE DA OSCILAÇÃO ANTÁRTICA DESFAVORECE AS ONDAS DE FRIO NO BRASIL!

As temperaturas no início do mês de julho de 2022 ficaram bem acima das médias históricas para quase todas as regiões do centro-sul do Brasil

Inevitavelmente, julho terminará com temperaturas acima ou bem acima da média em grande parte do centro-sul do país, já que as temperaturas positivas se desviam das observadas na primeira quinzena de julho, mesmo com uma onda de frio mais forte na segunda metade do mês, mesmo uma forte massa de ar gelado só reduzirá anomalias acima da média e não manterá as temperaturas médias para o mês abaixo da média históricas.

O La Niña, fenômeno que ocorre atualmente no Oceano Pacífico equatorial, favorece ondas de frio mais fortes no sul do Brasil. Na chamada região Niño 1+2, a anomalia da temperatura da superfície do mar no Pacífico equatorial oriental é de -1,4 oC. Esta é uma grande exceção negativa. Acontece que não é o único enigma climático que afeta o fluxo de ar polar para o sul do Brasil. Se a La Niña pode ser prevista com meses de antecedência, há uma variável que prevê apenas um prazo muito curto. Também é extremamente importante que as massas de ar frio atinjam as latitudes médias da América do Sul, incluindo o sul do Brasil, é a chamada Oscilação Antártica (AAO).

A Oscilação Antártica (AAO) é um padrão climático periódico no Hemisfério Sul que afeta os padrões climáticos em todo o mundo. O AAO altera a pressão do ar sobre a Antártida, o que, por sua vez, afeta as correntes de circulação do vento e do oceano em todo o mundo. Essas correntes redistribuem o calor ao redor da Terra, com a maior parte indo para os pólos. Esse processo gera variações climáticas em diferentes escalas de tempo, de estações a décadas.

A Oscilação Antártica refere-se às flutuações de longo prazo nas temperaturas da superfície do mar na região Antártica. Os principais impulsionadores dessas flutuações são o fluxo em grande escala de correntes de ar e oceânicas na atmosfera circundante e no oceano.

A chamada AAO é uma das variáveis ​​mais importantes que afetam as condições climáticas do Brasil e do Hemisfério Sul, tanto em termos de precipitação quanto de temperatura. A AAO tem duas fases, uma positiva e uma negativa.

Na fase positiva, o vórtice polar ao redor da Antártida se fortalece e se contrai ao redor do Pólo Sul. Na fase negativa, o vórtice polar enfraquece e se move para o norte em direção ao equador.

Índice AAO FASE POSITIVA. Fonte: CPC (Climate Predition Center – NOAA)

Com a maior expansão das correntes de jato polar na fase negativa, aumenta a probabilidade de eventos de frio mais intensos no Cone Sul e em outras partes do hemisfério sul, como sul da África e Austrália.

Índice AAO observado. Fonte: CPC (Climate Predition Center – NOAA)

O estado do Rio Grande do Sul registrou sua segunda maior queda de neve do século no final de julho de 2021, quando a AAO estava em uma fase bem negativa, a região sofreu fortes nevascas, pois o ar extremamente frio da Antártida foi empurrado para o sul do Brasil.

A fase da Oscilação Antártica também afeta onde os ciclones (a formação de ciclones extratropicais) ocorrem em todo o Hemisfério Sul. Na fase negativa, mais fria no sul do Brasil, os ciclones extratropicais tendem a ocorrer em latitudes mais baixas do que a fase positiva e, portanto, mais distantes da Antártida e mais próximos do Brasil, o que faz com que mais frio polar seja “puxado” em direção a América do Sul.

Índice AAO projeção para 14 dias. Fonte: CPC (Climate Predition Center – NOAA)

A tendência é que as temperaturas permaneçam acima ou bem acima da média no restante da primeira quinzena de julho, com vários dias atingindo temperaturas recordes. Não há sinais de uma onda de frio generalizada e prolongada nos próximos dez dias, pois o prognóstico é de que a AAO, ainda continue na sua fase positiva.

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